Agência Câmara: Deputada Greyce Elias diz que proibição de cursos 100% EAD, na formação de professores, vai reduzir inclusão e aumentar déficit de educadores
Em: 09 Julho 2026 | Fonte: Agência Câmara
A Comissão de Educação da Câmara realizou audiência pública para debater os impactos do fim de cursos de licenciatura, para a formação de professores, integralmente na modalidade de educação à distância (EAD). Em maio do ano passado, o Ministério da Educação publicou um novo marco regulatório para educação à distância no ensino superior. Com as novas diretrizes, nenhum curso de graduação poderá ser totalmente online.
A deputada Greyce Elias (PL-MG), uma das coordenadoras do debate, acha que a medida reduz a inclusão social, compromete a oferta dos cursos e pode até piorar o déficit de professores do Ensino básico. “O ensino superior 100% online vai ser extinto no Brasil”, lamenta.
Segundo ela, “os números assustam” porque afetam mais de 5 milhões de estudantes em todo o país. A deputada argumenta que isso vai agravar o déficit de professores na educação básica. “Se nós não nos atentarmos para isso, daqui a 3, 4, 5, 10 anos, vamos ter um colapso na educação brasileira”, diz. “Esses prejuízos não serão apenas para as instituições, mas será principalmente para os estudantes nos rincões de mais de 2.100 municípios no país que não possuem ensino presencial nem faculdade e que ficarão à margem da oportunidade da inclusão, da democratização da educação no Brasil”.
Greyce Elias argumenta ainda que muitos que buscam a licenciatura já têm uma formação. “Ele já é médico, advogado, tem outra profissão e quer melhorar sua renda ou aproveitar sua vocação para poder ensinar num curso superior”. A deputada também afirma que portadores de deficiência e mães atípicas que querem estudar utilizam hoje o EAD. “O ensino à distância é uma das modalidades que mais promovem a inclusão, que mas dão oportunidades para o trabalhador brasileiro”.
A deputada diz que muitos cursos EAD têm notas 3, 4 ou 5 no Enad (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), avaliação obrigatória MEC que mede o aprendizado dos universitários. “E muitos cursos presenciais têm notas 1 e 2”, diz. ”Então, não é a modalidade”, argumenta. “O que precisa permanecer é a discussão da qualidade. Se eu tive uma instituição por EAD pontuada em 1 e 2, que ela seja fechada. Agora, fechar aquela instituição conceituada em 3, 4 e 5! Qual que é a intenção real desse posicionamento do MEC? “, questiona.
Greyce Elias afirmou que a realidade do Brasil é muito diversa. “No Brasil real, estão quilombolas, ribeirinhos, indígenas, gente do Norte. É isso que a gente precisa levar em consideração”. “A realidade do Brasil é diferente dos países da Europa, diferente de países que, muitas vezes, são do tamanho de um Estado brasileiro. A França é menor que Minas Gerais, que é o meu Estado”, diz.
Segundo Greyce Elias, na estrutura do curso à distância, “o professor não dá aula sozinho. Ele tem uma equipe de monitores por trás dele. Ele tem uma equipe de mídia que ajuda o professor a passar o conhecimento dele para slides, para material didático”, argumenta. A deputada afirma que a decisão também provoca insegurança jurídica. “A gente tem que falar para o mundo que o Brasil é um país que, infelizmente, não tem segurança jurídica para quem quer empreender”, reclama.
Greyce Elias afirma defender a “liberdade educacional”. “O MEC rotula que, infelizmente, a educação no Brasil precisa ser feita da forma semipresencial ou presencial, o que dificulta muito o brasileiro que quer, muitas das vezes, buscar uma oportunidade de ser um professor e ter a oportunidade de ter o curso superior através do EAD”, diz.

